Entrevistas

Mikko Eskelinen

O Racing Portugal regressou às entrevistas neste mês de junho de 2012, e desta feita com um piloto finlandês mas que corre numa equipa portuguesa. Falamos em, nada mais nada menos do que Mikko Eskelinen. O finlandês de 39 anos é companheiro de equipa de César Campaniço na Team Novadriver, no Campeonato de España Iber GT.

Eskelinen corre desde 2007 e já possui no seu palmarés vários títulos, como o ETCC (Estonian Touring Car Championship), o FTCC (Finnish Touring Car Championship) e o Campeonato Nórdico de GT3.

Diogo Oliveira: Como começaste a carreira?

Mikko Eskelinen: A minha primeira corrida foi em 2007, numa corrida de endurance na Finlândia. Todos os pilotos eram ‘gentleman drivers’, com carros com cerca de 200 cavalos como BMW, Honda, Opel, etc. Fiz seis corridas em 2007, mas a minha carreira realmente começou em 2008 e tornei-me logo campeão finlandês de carros de turismo. Antes disso fiz motocross entre 1987 e 1990.

Diogo Oliveira: No seu primeiro ano completo, venceu o ETCC e o FTCC. Esperavas vencer isso tudo no primeiro ano?

Mikko Eskelinen: Não, apenas pensava que podia lutar por pódios, agora títulos… nunca pensei nisso. Tal como no FTCC, no ETCC também não pensava nisso. Tal como no European Touring Car Cup em Salzburg, não pensava em ganhar mas aqui não ganhei mesmo, pois fiquei em sétimo e em oitavo. De facto, um primeiro ano de carreira muito bom.

Diogo Oliveira:  Em 2009, o Mikko passou dos carros de turismo para os GT’s. Como foi essa transição?

Mikko Eskelinen:  Bem, comprei o Lamborghini Gallardo GT3 para competir no Campeonato Nórdico de GT3 e basicamente venci também esse campeonato. A primeira sensação foi inacreditável devido à potência do carro. Depois tinha de compreender o downforce que o carro formava, e para tal, precisei de realizar muitos, mas mesmo muitos quilómetros, até para encontrar o meu topo de performance e velocidade.

Diogo Oliveira:  Quanto à temporada em si, mais um título ganho…

Mikko Eskelinen ao volante do BMW 320si

Mikko Eskelinen: É verdade. Realizei doze corridas e venci cinco e consegui dez pódios. De resto, abandonei duas corridas devido as problemas mecânicos no carro.

Diogo Oliveira:  De facto uma bela temporada. Quanto a 2010, o Mikko foi para o FIA European GT3 Championship, com a Fischer Racing. Como correu essa temporada

Mikko Eskelinen: A temporada de 2010 foi um ponto de partida, um início do zero. Os circuito na Finlândia são bastante pequenos, com menos de 3 kms de distância. Os circuitos europeus são circuitos maiores, rápidos e demoram muito mais tempo para aprender como se conduzem, como encontrar a melhor trajetória. Ainda em 2010, fiz um pouco de ralis. Aliás, venceu o Rally Cup da Finlândia ao volante de um Mitsubishi Evo IX. Ainda fiz o Rally da Finlândia, a contar para o WRC, ao volante de um Mitsubishi Evo X, e fui o melhor rookie do rali, terminando na sétima posição do Grupo N e na 26ªposição final.

Diogo Oliveira: Quanto ao FIA European GT3 Championship, acabou no nono lugar final. Considera ter sido uma boa classificação?

Mikko Eskelinen: Sim, foi uma classificação bastante boa. Creio que podíamos ter alcançado alguns pódios mas mesmo assim foi uma boa temporada, até porque o Ford [Ford GT GT3] tinha uma direção bastante pesada e complicada de se manobrar.

Diogo Oliveira: Infelizmente para o Mikko, a Fischer ficou com o Ford GT GT3 e a sua performance em 2011 baixou bastante. O que nos pode dizer?

Mikko Eskelinen: A temporada de 2011 foi mesmo complicada. A nossa velocidade de ponta era fraca e além disso, tivemos bastantes problemas no carro. Tanto tínhamos problemas no motor, como na caixa de velocidades, nas válvulas de ignição. Para piorar a situação, no final da temporada em Zandvoort, tivemos um grande acidente.

Já agora, posso dizer que voltei a fazer ralis em 2011, ao volante do Mitsubishi Lancer Evo X. Terminei no top 10 em todos os ralis do Campeonato Finlandês de Ralis, e ainda acabei na 7ª posição do Grupo N e 28ºlugar no Rally da Finlândia, a contar para o WRC. Basicamente, perdi 5 minutos para o vencedor do meu agrupamento, ou seja, cerca de 1 segundo por quilómetro.

Diogo Oliveira: Sobre 2012, como apareceu este projeto da Team Novadriver?

Lamborghini Gallardo GT3 de Eskelinen em 2009

Mikko Eskelinen: Já me tinha encontrado com o César algumas vezes. Ele também correu no ETCC em Salzburg, e em 2009, tal como ele, fui testar o Audi R8 LMS da Team Rosberg. Ele acabou por ficar e eu continuei na Fischer.

No último outono, comecei a pensar onde iria conduzir na temporada de 2012. Encontrei o César no facebook e mandei-lhe uma mensagem a perguntar se havia vagas para realizar o Campeonato Espanhol de GT. Ele respondeu-me que sim, e na equipa dele. A partir daí, começamos a falar sobre detalhes e sobre como conseguiríamos chegar a acordo.

Diogo Oliveira: E o que tem a dizer sobre esta temporada?

Mikko Eskelinen: A temporada até ao momento foi muito boa mesmo! Adoro conduzir o Audi, e sinto-me muito bem atrás do volante do carro. A equipa é constituída por pessoas muito profissionais e é muito bom trabalhar com eles todos, especialmente o César. Ele é um grande profissional e além do mais, um grande piloto. É muito bom ser o companheiro de equipa de alguém assim. Estamos a liderar o campeonato e esperamos continuar com esta performance que temos tido. Tivemos três fins de semana de corrida e fomos três vezes ao pódio. Está a correr muito bem!

Diogo Oliveira: Tendo em conta os bons resultados, o objetivo é de facto o título, não é verdade?

Mikko Eskelinen: Estamos agora a liderar o campeonato mas ainda temos muitas provas para que a temporada acabe. Temos de ser muito claros e evitar qualquer tipo de erro. O erro mais pequeno e ligeiro que a gente tenha e ficamos logo sem pontos conquistados e lá se vai a liderança do campeonato. A nossa rapidez é o suficiente para chegar ao título, só que em Aragón tivemos um adversário [Porsche 911 GT3] com cerca de 22 kms/h mais rápido do que o Audi, e assim é claro que é difícil, pois o último setor do traçado é muito rápido, e aí claro, o Porsche tinha vantagem em relação ao R8.

Diogo Oliveira: Mikko, vamos falar um bocado sobre o futuro: 2013. Já tem algo definido para 2013?

César Campaniço e Mikko Eskelinen

Mikko Eskelinen: Ainda não… Passo muito do meu tempo em Banalmadena, em Espanha. Além do mais, tenho gostado do Campeonato Espanhol Ibert GT, pois soube-me bem correr aqui, mas ainda assim nunca se sabe o que se vai passar em 2013.

Diogo Oliveira: Para terminar, qual foi a sensação que o Mikko teve dos pilotos e traçados portugueses até ao momento?

Mikko Eskelinen: Em Portugal, só corri ainda em Portimão e acho que é um traçado muito bom. Quanto aos pilotos, a sensação que tive é que eles são muito rápidos e são todos uns grandes cavalheiros, com muito desportivismo. São boas pessoas, bons amigos.

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