Casey Stoner anuncia retirada da MotoGP aos 26 anos de idade

Casey Stoner

Casey Stoner anunciou nesta quinta-feira, numa conferência de imprensa em Le Mans, na França, que vai-se retirar da MotoGP após o fim da temporada de 2012. Durante o GP de Portugal, realizado no último dia 6, o australiano havia negado os rumores que apontavam para a sua ausência, deixando claro que não pretendia correr após completar 30 anos.

No Estoril, o piloto da Honda havia atacado a revista espanhola ‘Solo Moto’, a primeira a publicar os seus planos para se retirar do desporto, afirmando que “todos parecem muito bons a inventar histórias”.

A declaração desta quinta apanhou todos os jornalistas e pilotos de surpresa. Jorge Lorenzo, vice-líder do campeonato, disse-se surpreso com a decisão do rival, enquanto o multicampeão Valentino Rossi afirmou que a MotoGP perde muito com a saída do australiano. “Perdemos um grande rival e um grande piloto”, disse o italiano da Ducati.

Casey afirmou que, após anos a sacrificar a sua família no desporto que ama, é hora de parar já que “a paixão foi desapareceu“. Em fevereiro deste ano, Stoner tornou-se pai pela primeira vez. Desde então, não foram poucas as vezes que o piloto lamentou ter de deixar a sua casa na Suíça para viajar para as corridas.

Além do nascimento de Alessandra, outro fator pesou na surpreendente decisão de Stoner. O bicampeão já havia declarado publicamente a sua insatisfação com o caminho trilhado pela MotoGP. À procura da redução de gastos, a Dorna, empresa que promove o Mundial, introduziu as chamadas equipas CRT, que contam com chassis artesanais e motores derivados de produção, além de introduzir novas regras que limitam a performance dos protótipos. “Este não é o campeonato pelo qual eu me apaixonei”, declarou. “Não tem nada a ver com o nascimento da minha filha, só não gosto do caminho que o campeonato está a seguir.

Existem muitas coisas que me desapontaram e também muitas coisas que eu amei neste desporto, mas, infelizmente, o equilíbrio foi para a direção errada”, apontou. “E assim, basicamente, não vamos mais continuar. Seria bom se eu pudesse dizer que vou continuar por mais um ano, mas agora, onde pára isto?”, questionou. “Então decidi terminar tudo onde estamos agora”, completou.

Casey declarou também que pensou em deixar a MotoGP ao longo dos últimos dois anos e disse que não gosta de muitas coisas no ambiente do Mundial. “Depois de um longo tempo a pensar, muitas conversas com a minha família e a minha esposa, tenho vindo a pensar nisto há uns dois anos, mas no final desta temporada de 2012, não estarei a correr no campeonato de 2013”, anunciou. “Vou encerrar minha carreira na MotoGP no final desta temporada, e seguir adiante com coisas diferentes”, continuou.

Depois de tantos anos a fazer este desporto que amo, e pelo qual eu e minha família fizemos tantos sacrifícios, depois de tantos anos a tentar chegar ao ponto que chegamos, este desporto mudou muito, e para um ponto que não gosto. Não tenho paixão por isso e, portanto, é melhor eu retirar-me agora”, justificou.

Stoner na Ducati

O australiano estreou-se no Mundial em 2001, na extinta 125cc pela Moviestar Team Telefonica, onde disputou duas provas e somou quatro pontos. No ano seguinte, Stoner transferiu-se para as 250cc, defendendo as cores da LCR. Naquela temporada, o piloto concluiu o ano com o 12º lugar no campeonato e 68 pontos.

Em 2003, Casey voltou para as 125cc, ainda representando a equipa de Lucio Cecchinello, e venceu pela primeira vez no Mundial, na etapa de Valência, que encerrou a temporada daquele ano. 2004 foi a melhor temporada de Stoner nas 125cc. Correndo pela KTM, o australiano finalizou o ano na quinta posição, com 145 pontos, uma vitória, seis pódios e uma pole.

Na temporada seguinte, o australiano de Kurri-Kurri subiu para as 250cc. E de novo a defender a LCR. Foram cinco vitórias, dez pódios e duas poles, além do vice-campeonato daquele ano.

Em 2006, Casey finalmente estreou-se na MotoGP, também pela LCR, equipa que marcara todo início da sua carreira no Mundial. Com a moto da Honda, Stoner fechou aquele ano em oitavo no Mundial, com 119 pontos, um pódio e uma pole, antes da transferência para a Ducati, equipa pela qual correu a maior parte da sua vida na MotoGP.

Numa moto que parecia feita sob medida, Casey arrebatou o campeonato de 2007 logo de cara, com impressionantes dez vitórias, 14 pódios, cinco poles e 367 pontos. Um segundo título pela fábrica italiana parecia certo, mas o plano foi travado pelo forte desempenho de Valentino Rossi e a Yamaha. Ainda assim, Stoner obteve o vice em 2008 e um quarto lugar no Mundial no ano seguinte. Na última temporada com a Ducati, o australiano repetiu o quarto lugar do ano anterior.

2011 marcou a transferência de Casey para Honda, dividindo atenções pois Valentin0 Rossi da Yamaha, tinha anunciado que não ficava na construtora nipónica. O italiano acabou por ficar com a vaga de Stoner na Ducati.

A história com os japoneses pareceu um filme repetido. Assim como acontecera na Ducati, Stoner novamente viu-se numa moto casada totalmente para o seu estilo de pilotagem. Aliado ao talento, o australiano não deixou por menos e, de cara, conquistou o Mundial do ano passado, também números expressivos. Em cima da RC212V, Stoner obteve dez triunfos, 16 pódios, 12 poles e 350 pontos.

Atualmente, depois de três corridas na temporada, Casey é líder do Mundial, com duas vitórias.

Posted on 17 de Maio de 2012, in MotoGP and tagged . Bookmark the permalink. Deixe um comentário.

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