Gilles Villeneuve morreu há 30 anos atrás em Zolder

Gilles Villeneuve é uma lenda da Ferrari

Gilles Villeneuve, um dos maiores pilotos que a F1 já teve, morria há exatos 30 anos. Morria o piloto, mas nascia o mito. O canadiano é, até hoje, definido como símbolo máximo de arrojo e até mesmo de loucura nas pistas. Mesmo sem ter sido campeão do mundo, o seu melhor resultado foi o vice no Mundial de 1979, Gilles é, até hoje, referenciado como um dos maiores da história, muito mais que outros tantos que já conquistaram a glória máxima da F1. Gilles virou lenda, principalmente na Ferrari.

Durante o treino de qualificação para o GP da Bélgica, em 8 de maio 1982, no circuito de Zolder, Villeneuve saiu das boxes com o seu Ferrari para abrir uma volta rápida. Na tentativa de ultrapassar o March de Jochen Mass, Gilles bateu na traseira do carro do alemão e descolou. O carro capotou várias vezes e o piloto foi lançado para o outro lado da pista. A sua morte fora sacramentada minutos depois, aos 32 anos, por conta de múltiplas fraturas. Ficou para sempre a imagem de um desportista morrer ali, diante dos olhos do mundo, exibida na televisão.

Para muitos, a pessoa se foi, mas ficou o mito e a história de um dos melhores pilotos que a F1 já viu em todos os tempos por conta de seu estilo aguerrido, agressivo, às vezes em excesso, dentro da pista.

Villeneuve nasceu em Québec, na parte francesa do Canadá, em 1950. Aos 15 anos, ganhou um velho carro de presente do seu pai e, assim como viria a acontecer por várias vezes na F1, ele destruiu o veículo num acidente em que saiu ileso. Interessado em correr em monolugares, mas sem dinheiro, Gilles conseguiu um emprego numa empresa de construção e foi correr de snowmobile, um tipo de moto no gelo.

Fazendo sucesso, o então jovem piloto conseguiu dinheiro suficiente para entrar na Fórmula Ford local, venceu sete das 11 provas que disputou e foi campeão da categoria, em 1973. Já na Fórmula Atlantic, correndo pela Ecurie Canada, precisou de fazer um acordo com a família, que vendeu a casa para pagar o carro. Mas as primeiras provas em 1974 não foram boas para ele e, no meio da temporada, correndo no Mosport Park, Villeneuve bateu, partiu as duas pernas e ficou de fora do restante da competição.

Gilles Villeneuve

Sem contrato para o ano seguinte, Gilles acabou por montar a sua própria equipa e começou o ano com uma vitória. Com a sua fama a crescer, foi convidado por Ron Dennis para fazer um teste pela McLaren em 1976 e superou James Hunt, que seria campeão do mundo dias depois. Acabou por afirmando um acordo para correr, mas a estreia pela F1 seria apenas em setembro de 1977. Foi a sua única corrida pela escuderia britânica. Mal sabia o canadense que o seu futuro estaria muito longe da Inglaterra.

Classificando na nona posição, ele acabou a prova em 11º, mas foi o suficiente para impressionar os dirigentes da Ferrari, que ligaram-lhe apenas alguns dias depois e, no final do mês, Villeneuve estava contratado pela escuderia italiana para fazer a sua estreia correndo no Canadá, quando foi 12º.

No Japão para a sua segunda corrida, Gilles sofreu um acidente muito parecido com que viria a matá-lo alguns anos depois. O jovem canadiano estava a disputar a posição com Ronnie Peterson, da Tyrrell , quando o seu carro voou, capotou inúmeras vezes e acabou por matar dois espectadores.

Na temporada de 1978, Villeneuve conquistaria a primeira de suas seis vitórias na F1. O cenário não poderia ser melhor: justamente no Canadá, diante dos seus adeptos, na corrida que encerrou o campeonato. No ano seguinte, veio o melhor temporada da carreira do piloto. Com duas vitórias e quatro segundos lugares, ele foi superado apenas pelo seu companheiro de equipa, o sul-africano Jody Scheckter.

No mesmo ano, o mito em torno de Villeneuve começava a nascer. Disputando a segunda posição do lendário GP da França de 1979, em Dijon-Prenois, contra Renè Arnoux, ele não desistiu em nenhum momento e acabou por superar o rival após quatro voltas em que os dois ficaram bateram as rodas quase o tempo inteiro. Esta foi, sem dúvida, uma das imagens mais marcantes da história da F1. Outro feito dele foi na Holanda, quando teve um pneu furado e levou o carro às boxes com apenas três pneus inteiros.

Gilles com a mulher, a filha e o filho (Jacques Villenueve, campeão do Mundo de F1 de 1997)

O ano de 1980 foi péssimo para Gilles, que somou apenas seis pontos. E o ano seguinte não foi muito diferente porque, mesmo com duas vitórias, Villeneuve abandonou oito provas e acabou por ser excluído em uma. O início de 1982 também não foi bom para o piloto, que só havia conseguido um pódio em quatro corridas disputadas numa corrida polêmica em Ímola, quando Didier Pironi ignorou uma ordem de equipa da Ferrari, ultrapassou Villeneuve e venceu.

Duas semanas depois após a frustração do segundo lugar, Villeneuve acabou por morrer em Zolder após se envolver em outro gravíssimo acidente. A sua morte foi um choque na F1 e muitos contavam que ele seria campeão mais cedo ou mais tarde. Com seis vitórias, 14 pódios e inúmeras ultrapassagens, o canadiano marcou o seu nome na categoria e, principalmente, virou o símbolo de toda uma geração.

E se ele não foi campeão, o seu filho Jacques conquistou o título em 1997 e deu à família Villeneuve o troféu de campeão na F1. Mas é facto que, mesmo 30 anos depois da sua morte, Gilles continua muito mais lembrado que Jacques. Mais que lembrado, mitificado, principalmente pelos ‘tifosi’.

Se a pilotar Villeneuve era considerado um gênio, fora das pistas a sua preferência era levar uma vida discreta. Diferente de muitos companheiros, ele passou anos a morar num trailer e só foi comprar um apartamento em Monte Carlo após alguns anos. Outra coisa que Gilles detestava era dar autógrafos e viver em torno de todo o assédio dos fãs.

Posted on 8 de Maio de 2012, in Fórmula 1 and tagged . Bookmark the permalink. Deixe um comentário.

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