Nico Rosberg vence o GP da China e dá 1ª vitória da Mercedes em 57 anos

Nico Rosberg

Nico Rosberg e a Mercedes fizeram história em Shangai neste domingo. Depois de 57 anos, desde o GP da Itália de 1955, a escuderia alemã volta a vencer na F1. De quebra, o piloto conquistou a sua primeira vitória na carreira após 111 GPs.

Rosberg contrariou todas as previsões possíveis sobre o seu desempenho em ritmo de corrida em Xangai. Apesar de ter conquistado a pole com sobras, o alemão era considerado o azarado na lista dos favoritos à vitória no solo chinês, já que o W03 era apontado como um carro pouco consistente com tanque cheio. Mas o que se viu foi exatamente o contrário, com Nico a dominar com autoridade a corrida.

É bem verdade, também, que a estratégia foi fundamental para que Nico vencesse a prova. A Mercedes optou por adotar a tática de duas paragens para troca de pneus, que se mostrou muito eficiente com o alemão. Jenson Button e Lewis Hamilton optaram por três pit-stops cada, e ainda assim confirmaram a boa forma do McLaren MP4-27, completando o pódio em Shangai.

Por muito pouco Sebastian Vettel não belisca um pódio na China. Depois de ter largado só em 11º e ter caído para 15º ainda na segunda volta, o bicampeão do mundo fez uma corrida de recuperação e valeu-se da tática de duas paragens para subir às primeiras posições, andando boa parte da corrida em segundo. Mas o desgaste dos pneus tirou-lhe muitas posições e fez cair de segundo para quinto. À sua frente terminou Mark Webber, o seu companheiro de equipa, que seguiu a dupla da McLaren e adotou a estratégia de três pit-stops.

Romain Grosjean também fez uma boa prova na China ao terminar em sexto, seguido por Bruno Senna, outro que obteve grande performance mesmo parando apenas duas vezes para trocar pneu em Shangai. O brasileiro, que pontuou pela segunda vez na temporada, finalizou a prova logo à frente de Pastor Maldonado. O vencedor do GP da Malásia, Fernando Alonso voltou à dura realidade e teve de se contentar apenas com o nono lugar. Kamui Kobayashi, que chegou a ser apontado como um dos favoritos à vitória, conseguiu marcar um ponto após travar intenso duelo com o seu companheiro de Sauber, Sergio Pérez.

Felipe Massa bem que tentou, ficou perto de marcar o seu primeiro ponto na temporada, mas não conseguiu passar do 13º posto na China.

Os pilotos da Mercedes conseguiram manter as posições originais na grelha, com Rosberg em primeiro, seguido por Schumacher. Na sequência, dois opostos: Button saltou de quinto para terceiro, passando Räikkönen e Kobayashi antes do fim da curva 1 em Shangai. Em contrapartida, o japonês da Sauber começou mal a prova, perdendo posições também para Hamilton e o próprio companheiro de equipa, Pérez.

Outro piloto que largou muito mal na China foi Vettel. Sem ter o costume de correr no pelotão intermédio, o bicampeão mundial saiu de 11º para 15º antes do término da primeira volta. Massa vinha bem, em décimo, duas posições à frente de Senna. Foi um começo de corrida relativamente tranquilo, sem maiores incidentes e com todos os pilotos mantidos na prova.

Michael Schumacher

No primeiro stint do GP, a maioria dos pilotos fez uso dos compostos macios. Aproveitando os pneus mais rápidos, Rosberg iniciou uma sequência de voltas rápidas com o claro propósito de aumentar a vantagem para Schumacher e ter maior tranquilidade após a primeira janela de pit-stops. Nico chegou a abrir, após seis voltas, 2,9s para o heptacampeão do mundo.

Falando em janela de pit-stops, exatamente na abertura da sexta volta, Webber, que largou mal e perdeu várias posições nas primeiras voltas, foi às boxes e abriu a janela para troca de pneus, substituindo os seus compostos de macios para médios. E lá na frente Rosberg seguia ditando o ritmo e abria vantagem perante Schumacher. Na volta 11, Nico já ostentava 6,2s de frente para o companheiro de equipa na Mercedes.

Durou pouco a boa corrida de Schumacher em Shangai. Exatamente na 13ª volta, pouco depois de ter feito o seu pit-stop, o veterano ficou lento na pista e estacionou o seu W03 numa área de escapatória, encerrando assim a possibilidade de ajudar a Mercedes a fazer dobradinha na China. Minutos depois, as imagens da transmissão da prova mostraram que um mecânico da equipa alemã não conseguiu fixar corretamente a roda dianteira direita, ocasionando assim o abandono.

Com todas as trocas de pneus, após 14 voltas, Pérez, que ainda não havia parado para efetuar o seu pit-stop, liderava, seguido por Massa, que também não parou, e por Rosberg, o líder de facto do GP da China. O mexicano só perdeu a liderança duas voltas depois, quando finalmente fez a sua paragem. Dessa forma, momentaneamente, Felipe liderava a prova, mas sem efetuar o seu pit-stop, e era seguido de perto por Rosberg.

Só que o único piloto da Mercedes que sobrou na corrida estava impossível em Shangai. Nico nem sequer tomou conhecimento da Ferrari de Massa, passou o brasileiro sem dificuldades e continuou abrindo vantagem para o duo da McLaren, com Button em segundo e Hamilton na sequência. Não demorou muito para que Felipe deixasse a segunda posição após entrar nas boxes para efetuar seu pit-stop, caindo para a 14ª posição.

Webber abriu a segunda janela para troca de pneus em Shangai, que acabou por mudar drasticamente as posições dos pilotos na China. Além do número 2 da Red Bull, Hamilton, Webber, Kobayashi e Button fizeram as suas respectivas paragens. Rosberg, então com apenas um pit-stop, seguia sem ter problemas mecânicos ou nos pneus e vinha fazendo orgulho ao pai, Keke, campeão mundial em 1982.

Boa parte dos pilotos fez o mesmo e efetuaram os seus respectivos pit-stops. Dois dos líderes da corrida, por sua vez, seguiam na pista com os compostos mais gastos, caso de Pérez e Rosberg. Só que Nico, que parou na abertura da volta 35, lutava pela vitória, mas o alemão perdeu muito tempo no segundo stint em comparação com Button. Outro erro estratégico da Mercedes foi manter o alemão por mais alguns minutos na pista, mesmo que Nico seja 1,3s mais lento que os tempos de volta de Button. E tudo aconteceu exatamente dessa forma, ou seja, com Jenson à frente de Rosberg.

Ainda na volta 36, Webber foi protagonista de uma cena impressionante. Na saída da curva parabólica que dá acesso à grande reta, o australiano perdeu o controlo do seu RB8 e foi para a gravilha. Mark conseguiu voltar à pista, mas, ao passar por cima do corretor, o seu carro deu uma ‘empinada’ e quase descolou. Entretanto, Webber conseguiu controlar bem o seu carro e seguiu na prova, desta vez em 11º.

Na abertura da 40ª volta, ocorreu o momento-chave da corrida. Então líder da corrida, Button foi às boxes para colocar um jogo de pneus duros. Entretanto, um problema com a fixação do pneus traseiro esquerdo fez com que o britânico perdesse muito tempo. Dessa forma, Rosberg, que ainda não havia parado, voltou à frente, com Räikkönen em segundo e Vettel a completar o top-3. A dúvida então era saber quem faria duas paragens e quem faria três.

A corrida, antes monótona, ganhou muito mais ação nas dez voltas finais, com várias brigas por posições, muito por conta do desgaste dos pneus apresentado por boa parte dos pilotos da grelha. Rosberg, mesmo com duas paragens, seguia em bom ritmo de corrida, contrariando todas as previsões. Em contrapartida, Räikkönen, que chegou a andar em segundo, perdeu muito desempenho dos seus pneus e foi caindo volta a volta, sendo ultrapassado por vários adversários até ser relegado para 14º.

Mas outros pilotos que fizeram duas paragens deram-se muito bem. Caso de Grosjean, Bruno Senna e Maldonado, que entraram facilmente na zona de pontos nas últimas voltas do GP da China. Outro duelo interno acontecia entre os pilotos da Sauber. Pérez e Kobayashi lutavam pela décima posição, e a luta foi marcada por uma manobra polémica e até perigosa, quando o mexicano ‘fechou a porta’ e quase tocou no carro de Kamui para defender a posição. Mas logo depois o japonês recuperou o seu lugar no top-10.

Rosberg continuou soberano e manteve seu bom ritmo de corrida. Nem mesmo a escalada final de Button, que passou um surpreendente Vettel e voltou ao segundo posto, foi capaz de tirar de Nico a sua primeira vitória na carreira. A Mercedes volta ao lugar mais alto da F1 após quase 57 anos, desde a vitória da lenda Juan Manuel Fangio no não menos lendário circuito de Monza, no GP da Itália de 1955.

Confira os resultados:

Pos Driver Team Time
 1.  Rosberg       Mercedes                   1h36:26.929
 2.  Button        McLaren-Mercedes           +    20.626
 3.  Hamilton      McLaren-Mercedes           +    26.012
 4.  Webber        Red Bull-Renault           +    27.924
 5.  Vettel        Red Bull-Renault           +    30.483
 6.  Grosjean      Lotus-Renault              +    31.491
 7.  Senna         Williams-Renault           +    34.597
 8.  Maldonado     Williams-Renault           +    35.643
 9.  Alonso        Ferrari                    +    37.256
10.  Kobayashi     Sauber-Ferrari             +    38.720
11.  Perez         Sauber-Ferrari             +    41.066
12.  Di Resta      Force India-Mercedes       +    42.273
13.  Massa         Ferrari                    +    42.700
14.  Raikkonen     Lotus-Renault              +    50.500
15.  Hulkenberg    Force India-Mercedes       +    51.200
16.  Vergne        Toro Rosso-Ferrari         +    51.700
17.  Ricciardo     Toro Rosso-Ferrari         +  1:03.100
18.  Petrov        Caterham-Renault           +     1 lap
19.  Glock         Marussia-Cosworth          +     1 lap
20.  Pic           Marussia-Cosworth          +     1 lap
21.  De la Rosa    HRT-Cosworth               +     1 lap
22.  Karthikeyan   HRT-Cosworth               +    2 laps
23.  Kovalainen    Caterham-Renault           +    3 laps

Fastest lap: Kobayashi, 1:39.960

Not classified/retirements: Driver Team On lap
Schumacher    Mercedes                     16

Posted on 15 de Abril de 2012, in Fórmula 1 and tagged . Bookmark the permalink. Deixe um comentário.

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