Após 14 anos, Jarno Trulli abandona a F1

Jarno Trulli

Antes com presença numerosa na grelha de partida, os pilotos italianos não estarão presentes na F1 em 2012 devido à substituição tardia de Jarno Trulli por Vitaly Petrov, anunciada nesta sexta-feira. A exemplo do que havia acontecido com Rubens Barrichello, o antigo piloto da Caterham deixa a categoria sem direito a prova de despedida e, pior, tendo trabalhado para a equipa momentos antes da fatídica demissão.

Apesar de lamentar a decisão, Trulli revelou que já estava preparado para a rescisão do contrato. “Pessoalmente, não estou insatisfeito. Eu já estava preparado para um possível divórcio com a Caterham. Sabendo as dificuldades económicas, a equipa poderia precisar de encontrar um piloto com o apoio financeiro adequado”, declarou o italiano.

Pequenas equipas certamente têm necessidades, e os contratos são claros. Espero que, com a contribuição do Petrov, todas as pessoas possam trabalhar de forma mais serena no futuro”, completou o italiano, que não perdeu a oportunidade de chamar o seu substituto de piloto pagante.

No entanto, aos 37 anos, Trulli já estava claramente num momento típico de fim de carreira. Corrida sim corrida sim, o piloto era superado pelo companheiro de equipa na Caterham, Heikki Kovalainen. Sem empolgar os adeptos italianos, o atleta tinha a confiança do dono da equipa malaia, Tony Fernandes, que contava com a experiência do transalpino.

Esta confiança, no entanto, já dava os primeiros sinais de abalo em 2011. Trulli foi afastado do GP da Alemanha, dando lugar a Karun Chandhok. Outro problema enfrentado pelo piloto era a fragilidade do equipamento. Se tomar em conta o exemplo de Kovalianen era uma certeza, sofrer com problemas hidráulicos também era um problema constante. Até mesmo a direção hidráulica virou alvo de reclamação.

Rubens Barrichello e Jarno Trulli abandonaram este ano a F1 após mais de 10 anos

Em dois anos na equipa de Fernandes, Trulli conquistou a 13ª posição como melhor resultado: nos GPs do Japão de 2010 e da Austrália e de Mónaco da temporada passada. Um desempenho muito diferente do piloto que começou na F1 em 1997, pela pequena Minardi. A carreira na equipa italiana, aliás, foi bastante curta. Durou apenas sete provas.

Na oitava, o piloto foi chamado pela Prost para substituir o lesionado Olivier Panis. Em mais sete corridas, Trulli destacou-se. Terminou o GP da Alemanha na quarta posição, somando os primeiros pontos da carreira, e liderou o GP da Áustria até sofrer com um problema no motor e abandonar.

Em 1998, a Prost fez questão de trazê-lo para os seus domínios. Foram duas temporadas pela equipa francesa, com um pódio, antes de acertar com a Jordan. Mas o auge da carreira foi na Renault, equipa que defendeu entre 2002 e 2004. Ao lado de Fernando Alonso, foram apenas três pódios, mas um deles bastante importante. No dia 23 de maio de 2004, Trulli segurou Jenson Button para vencer a primeira, e única, corrida da carreira justamente no GP de Mónaco.

Mesmo com a vitória, o piloto acabou por trocar a Renault pela Toyota. Na equipa japonesa, em cinco temporadas, não conseguiu repetir o arrojo do início da carreira, mas subiu sete vezes ao pódio com direito a uma pole-position. Com a saída da construtora japonesa da F1, Trulli teve alguns dias de desemprego antes de ser contratado por Tony Fernandes, na nova empreitada malaia na categoria.

O italiano já havia participado de um teste pela equipa de Michael Waltrip na Nascar e pode continuar a carreira no campeonato americano. O piloto, que também é um grande empresário na área da produção de vinhos, garantiu que quer continuar a correr, mesmo longe da F1. “Eu tenho uma fábrica de produção de vinhos e um hotel na Suíça, então estou bastante ocupado. Mas eu sou um piloto e é isso que eu vou continuar a fazer. Seja na F1 ou fora dela”, disse.

O piloto, por fim, criticou a falta de italianos na categoria. “A F1 sem italianos é uma vergonha. Eu lamento, mas a culpa não é minha: outros precisam tomar a responsabilidade, que, certamente, não começou ontem, mas nada foi feito a respeito. Na Itália, não há sistema para ajuda aos jovens pilotos, por isso é normal terminarmos nesta situação. Há talentos, mas sem apoios, eles não têm esperanças”, encerrou.

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Posted on 17 de Fevereiro de 2012, in Fórmula 1 and tagged , . Bookmark the permalink. 2 comentários.

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